dezembro 22, 2009

...


Às vezes pareço ser-te tanto
Outras nem assim tanto
E eu só quero chamar-te Amor
E eu só quero abrigar-me nos restos do teu abrigo.
Ser a tua violeta
ainda que não tenhas jardim.
Ser o teu pilar, não o teu pendular a balançar.


E eu só quero reflectir-me em ti
como um luar me iluminasse
te iluminasse.
E eu só quero não te perder sem mesmo chegar a ter-te
Advinho que vai doer.


Dá-me um abraço que hoje não te sinto aqui
(Maria)

3 comentários:

Vento disse...

Deixo aqui um grande abraço para ti linda poeta.

Beijo

Eurico Moura disse...

Também gosto de luares. Gosto do que aqui li. Gosto da música. Gosto do ambiente.

Filipe N disse...

Olá Maria.
Hoje, dia de Natal, o Pai Natal anda a monte, consta que faliu. Parece que o Pedro vive agora do contrabando de armas e que o menino Jesus foi internado como gripe A.Nada disto se pode contar aos meninos, que seria deles sem a esperança de um presente pela manhã?...
Fora isso também gosto de luares iluminados e dos seus reflexos adivinhados na penumbra.
Mas prefiro que as formas ganhem progressivamente contornos claros e ciosos, não abrigados em restos de nevoeiros meramente cenográficos ou balanços coreográficos plagiados dos ritmos modernos e existencialismos repassados, em pendulares movimentos de aproximação tão óbvios como hipócritas e medíocres.
Detesto também os jardins ingleses, só de fachada, e canteiros de flores em papel de cenário à beira dos passeios apinhados, regadas publicamente e a eito, sem cuidados continuados, só podadas e montadas para recolha de sonoridades ocas de admiração chegadas de aparências misteriosamente resguardadas em subtilezas estéreis, reticentes… e evidentes.
Por isso vim, e pressentindo que a violeta prefere (mesmo sem o saber ainda) um trato diferente, comentei.
Nele a dor é facultativa, tal como a publicação, adivinho que mais que o medo de perder o que se não tem ainda deve prevalecer a escolha selectiva e moura do plantar em vaso para depois colher, ao invés de sementeiras profusas e sem destino certo, lançadas como micas ao vento.
É este o abraço que poiso aqui no meio. E é no ter como princípio e fim que não acredito, chegue ele da precipitação, desilusão, desespero ou desalento.
Aqui não se deixam beijos? Toma lá um então :)